Explicação da história recente do Brasil

“A acusação mais comum aos governos militares no discurso da extrema-esquerda, contudo, acaba se revelando uma grande besteira para quem conheça História. Os militares são acusados, basicamente, de torturadores. “Militar = torturador”, no imaginário da extrema-esquerda brasileira. Ora, é outro ponto em que os militares enfiaram, sim os pés pelas mãos, mas o mesmo — exatamente o mesmo — fizeram todos os outros governantes, antes e depois deles. O erro maior deles foi de omissão, não ação.

Explico: na sociedade brasileira, culturalmente sempre foi preferido o castigo informal, no mais das vezes físico para os pobres e moral para o ricos. Melhor uma boa sova ou humilhação pública que ficar com o nome sujo; registros formais de um passado criminoso sempre foram considerados um mal muito maior que dentes quebrados ou um dia de vergonha. O nosso Código Penal, de 1940 — promulgado pelo mesmo Getúlio Vargas que a esquerda tanto ama –, bem como seu companheiro, o Código de Processo Penal, parte desta premissa e traz nas entrelinhas a promessa de violência policial. Assim como nunca se colocou no papel no Brasil a existência da escravidão até a Lei Áurea, e depois dela o próprio Rui Barbosa empenhou-se em eliminar ao máximo as evidências da sua existência, a violência policial sempre esteve implícita na legislação brasileira. O bandido, normalmente preto e pobre, sempre foi surrado, sempre foi torturado para contar o que sabia e para que a polícia chegasse a seus cúmplices. Estes, por sua vez, seriam torturados para entregar outros e devolver os bens roubados. Nada seria posto no papel, a não ser no caso daqueles que não se emendassem após miríades de surras, daqueles que não haviam sido e nunca seriam convencidos pelo medo do pau-de-arara a buscar uma vida honesta. É assim que a coisa sempre funcionou, e a sociedade sempre esteve muito satisfeita com isso, para nossa eterna vergonha.

Nos raríssimos casos de ser necessária a ação policial contra um cidadão de classe média ou alta, tampouco entraria em ação, na maior parte das vezes, o CPP. Em geral bastaria levá-lo algemado em público a pé pelas ruas da cidade como punição.

Os militares, ao tomar o poder, poderiam e deveriam ter procurado dar um jeito nesta situação, corrigindo os códigos e dotando as polícias de meios intelectuais e físicos de investigação civilizada. Como eles não precisavam de apoios políticos, ter-lhes-ia sido possível. O que fizeram, contudo, foi simplesmente deixar a polícia agir como sempre agiu e estender, democraticamente, à classe média o tratamento que antes era apanágio de pretos, pobres e prostitutas. Quando filhos da classe média urbana, sob o pretexto da “luta armada” de extrema-esquerda, começaram a assaltar bancos, sequestrar e outras ações que antes não se imaginava que meninos de boa família pudessem cometer, os militares simplesmente permitiram que a polícia investigasse e tratasse estes crimes como investigava e tratava todos os outros. Nas imortais palavras do sambista, “vou dar um pau nas piranhas lá fora; vocês vão ver, elas vão ter que entregar”.

As famigeradas “torturas dos militares”, assim, são curiosamente não apenas algo que não é nem nunca foi invenção deles, pois eles simplesmente permitiram que continuasse algo, como se trata de uma acusação que deixa de lado o ponto principal: eles são culpados apenas de terem democratizado o que se fazia anteriormente apenas aos mais desvalidos ao invés de ter civilizado os mecanismos de investigação e punição desde sempre empregados pela polícia brasileira. No governo dos militares todo criminoso, assaltante ou sequestrador apanhava igual, fosse ele um menino de classe média branca e rica atrás de dinheiro para implantar a ditadura do proletariado ou um preto pobre que quisesse comprar jóias para as namoradas.”

Carlos Ramalhete

LEIA TODO ARTIGO  (vale a pena!)

https://medium.com/@carlosramalhete/a-esquerda-e-os-militares-55c43fc158f2#.4ukwgvaru

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